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Mostrando postagens de janeiro, 2018

UM DIA MEU PAI ME DISSE ...

Bem assim, num dia comum, mas não trivial, meu pai me disse: Filha, te amo.  Já havia ouvido, mas dessa vez resolvi perguntar: Por que me ama? E ele disse: Porque você é minha filha. Achei que só se pudesse ser amado por função, e quando não existisse mais nenhum atributo benfazejo, o direito do amor se esvaziaria ao poucos, até ficar só a tolerância. Mas, não é verdade, e só a lente da maturidade pode aumentar os graus do óculos do que quer ver e saber. O que é seu é também você, e os cuidados se estendem. Tem horas que parece mais fácil cuidar de outros a que de si, mas também isso não é verdade, pois só se pode cuidar de outros o que cuida também de si, e só cuida quando é seu. Mas, então, como saber o que é meu? Onde se pisa, onde se entra é seu. É seu sim. Duvida? Mas, veja bem, não é seu para possuir, pois possuir é um verbo transitivo, incompleto, que precisa de um complemento para se fazer sentir, para ter sentido. O verbo cuidar flexiona como amar. Meu, teu, no...