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Mostrando postagens de janeiro, 2016

A EFEMERIDADE DO QUE PODE SER OLHADO

O que é despedir-se se não a consciência do que não tem ainda lugar permanente ... Quando o que aparece deixa de ser olhado pode ser esquecido ou perpetuar uma imagem vista que se esmaece, mesmo com a insistência da memória. De que adianta apegar-se ao que aparece, porque pode desaparecer em um soluço. As aparências mudam; quando mudam muito, se estranha, e quando não mudam, se enjoa. Pele é proteção, não existe por causa de nada, tem seu motivo; quando deixa de existir pode ser por violência, que dali foi arrancada, ou por falta de serventia e se retira. Pele é feita de pó, e o pó, em grande parte, feito de pele. Será que o que deixa de existir seria somente por violência ou por falta de serventia? ... Não sei ... Aprendi desde madrugada que corpo é estada, não é permanência.  Um corpo atrai, mas não fixa para sempre; não consegue atrair para ficar, um dia se cansa e vai, se espalha. Um corpo que dói merece atenção, para não se por em fragmentos, nem ir embora sem que se...

UM CONCEITO VIVO: A BELEZA DA ALMA

Hegel disse ser o retraimento a beleza da alma.  Ao ler por primeiro, achei até que poderia ser; depois pensei melhor e não sei se o retraimento seja o motivo de tornar a alma bela. Talvez Balzac concordasse com Hegel, mas confesso que eu não. Falemos primeiro da superfície da ilusão para depois nos referirmos ao oceano da alma.  Nem precisam muitas palavras, aprendi com uma criança, por estes dias, a responder como se deve quando se é intimidado.  Essa criança era uma menina linda que deveria ter uns 6 anos; uma outra criança, que parecia ser seu amigo, lhe disse: - Você é feia, e não brinco com pessoas feias. No que, calma e educadamente, ela respondeu enquanto fazia ondinhas na água com o dedinho indicador: - Todas as pessoas são bonitas. Uau! Hegel deveria tê-la conhecido ... Pena que o tempo não deixa. Tive sorte: lugar certo, hora certa, palavras exatas. Será que uma alma retraída poderia tê-la ouvido?  Penso que todos sabem que escutar é bem diferen...