A EFEMERIDADE DO QUE PODE SER OLHADO
O que é despedir-se se não a consciência do que não tem ainda lugar permanente ... Quando o que aparece deixa de ser olhado pode ser esquecido ou perpetuar uma imagem vista que se esmaece, mesmo com a insistência da memória. De que adianta apegar-se ao que aparece, porque pode desaparecer em um soluço. As aparências mudam; quando mudam muito, se estranha, e quando não mudam, se enjoa. Pele é proteção, não existe por causa de nada, tem seu motivo; quando deixa de existir pode ser por violência, que dali foi arrancada, ou por falta de serventia e se retira. Pele é feita de pó, e o pó, em grande parte, feito de pele. Será que o que deixa de existir seria somente por violência ou por falta de serventia? ... Não sei ... Aprendi desde madrugada que corpo é estada, não é permanência. Um corpo atrai, mas não fixa para sempre; não consegue atrair para ficar, um dia se cansa e vai, se espalha. Um corpo que dói merece atenção, para não se por em fragmentos, nem ir embora sem que se...