No ponto em que a alma encontra seu caminho para dentro, há um reconhecimento de que o corpo é uma veste, um traje de gala, para a festa da vida. A alma interna é um aforismo, começa e termina num núcleo de significado. Mas alma termina? Alma determina, até mesmo para que não seja qualquer alma, mas uma alma. Talvez poucos cheguem a ser a alma, uma alma definida. São tantos os caminhos e as vozes, o trajeto quem ajuda a determinar. Quem está caminhando também se define. A escolha é feita lá dentro, na alma interna, no ponto oculto.
Voltei ... Voltei pra mim. O caminho de saída é por dentro. A alma é um labirinto. O instinto não é pulsão, assim como pulsão não pode ser reduzida ao instinto. O inimigo é o que toma, não pode. Mas também o que entrega aquilo que se não pode dar. A paciência ajuda a viver o processo, assim como vê-lo, como percebe-lo. A criação é a chave que leva pra lá, lá para cima. Melhor acalentar ou ser acalentado?
Estar em um lugar não significa que se esteja por inteiro. Pode até dar a aparência, mas basta ver o olhar e ouvir o que se fala pra flagrar se há presença ou ausência presente. Já vi pessoas sem partes, que não sobrou nem um pedacinho de si; a casa ficou vazia, só ficaram as paredes banhadas de escuridão. É tão comum e fácil perder o desejo de um dia ser um inteiro, e deixar configurar-se em muitas partezinhas espalhadas por aí; até que o vento leve para longe ao ponto de não saber voltar, se é que partes sabem ir ou voltar. Quer saber? ... Acho que partes nem sabem andar, tampouco trilhar caminhos. Penso que partes nem alfabetizadas são, muito menos poderiam dirigir-se pra algum lugar sem que sejam levadas. Pelo que sei, só consciência sabe para aonde quer ir, assim que o corpo anda com rumo. Partes de corpo fora do corpo nem vivas ficam; e a gente bem sabe, que se sai a vida, sobram só paredes. Também não sei se partes flotam. É bom ficar atento, porque...
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