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A LÓGICA DA ALTERIDADE

Desde Aristóteles os tijolos de construção para a lógica foram os princípios de Identidade, Não-contradição e o Terceiro excluído.  Sabemos que pode haver o indeterminado, a dialética aponta para a contradição intrínseca das coisas, e a identidade poderia ser ampliada para a alteridade, ao invés de ser idêntico a si, ser idêntico a outro, em processo, com inserção do tempo. Ser idêntico a si mesmo não parece ser seguro, tampouco traz unidade, ao menos quando falamos de pessoas. Unidade é o que garante um sentido, pois, se não houver um sentido, uma ligação de coisas em relação, que significado pode ter? Seria um embaralhado de múltiplos espalhados por aí. Pergunta retórica:  De onde vem o comando para que os múltiplos se unam em uma unidade? Pleonasmo ... Eu sei ... Amor, entrega e confiança têm a ver com unidade. Interessante que amor tem a ver com sentimento, entrega com ação e confiança com razões. Mas, o maior deles é o amor. Razão e ação estão contidos no sentime...

IDENTIDADE? ... IDÊNTICO A QUEM? ...

Identidade é de natureza axiomática; não por menos é tomada como um dos princípios da lógica, talvez o mais fundamental. Originariamente "axioma" significa dignidade ou valor.  Identidade tem mesmo dignidade e valor.  Digno e com valor; idêntico a quem? Indentitas, Identity, Identité, Identität, Identità ... Não altera muito. Identidade como unidade de substância que une. Une?  Quem são os que se unem ... Q... Qu ... Que ... Quem ... Como se pode ser um? Indivíduo me parece um monismo de categoria fantasiosa, uma invenção. Na identidade no mínimo tem dois. O indivíduo é o que não se divide? Se é assim, me parece ser mesmo como disse.  Acredito em um  eu  bem tênue, que só é  eu  por um tempo, depois se divide, depois fica contido no tudo.  O Tudo tem poder para se espalhar e tornar a juntar, tem poder para morrer e tomar sua vida de volta. É tão poderoso que não se faz ver para deixar que o  eu  seja, sem que saiba...

NOTA SOBRE A ESTÉTICA DA INTIMIDADE

Por certo que intimidade e afinidade têm parentesco. A intimidade é para poucos, para os que pensam parecido, pois tem a ver com mostrar de si, e se o que ouve não se interessa, por que haveria de se mostrar? Parecem espalhados os que têm afinidades. O vento os soprou pra cantos diferentes. Também temos de considerar que para falar de si tem de se sentir bem confortável, à vontade, relaxado. Em ambiente que cheira à exigência ou crítica como se haveria de relaxar? Melhor tapar as narinas e se aquietar, fazendo da boca não o revelar, mas lugar de respiro. A capacidade de falar de si tem a ver com a doçura de expressar sem medo o que se sente: se agraciado ou agredido; sem que a culpa seja imposta, sem cobrar, pois, como cobrar o que não sabe nem o que deve? Só se sabe o que se deve quando o alheio chora seu dono ... Para os que não vestem a culpa, quanto maior a afinidade, maior o poder de conexão, maior o encaixe. E quando o encaixe se ajusta, são poucas, se não só uma, as ...

PALAVRAS OCUPAM ESPAÇO?

Não tenho tido palavras nos lábios por este tempo. Elas estão cada dia mais quietinhas, sem nem que o respiro se possa ouvir. Creio que a sensação é de que tudo que era para ser dito já foi, e o que é, já foi também. No íntimo, as letras ainda estão a tecer o pensar, porém, de forma embaralhada, ou de maneira cifrada, que não me deixa entender.  Parece ser um processo em que, mesmo que uma palavra escape, ela não se ancora à outra. Parece estranho que as letras não se comuniquem, nem se deem as mãos; como também não formar frases, não gerar entendimento; devem estar meditando em solidão. Que estranho estado esse, pois a muito que aprendi que letras matam ou fazem viver; mas sobre as que não se relacionam, essas ainda não conhecia. E que espaço as palavras, frases, versos, textos, longos escritos ocupam? Se não estiverem nos suportes de papel e nos de luz, para onde vão? Não é uma pergunta razoável? Para onde será que elas vão quando se calam? Para as montanhas, como os eremi...

UMA ORDENANÇA: CRESÇA

A vida diz: "Cresça!" Por que haveria de não obedecer? ... Sei do que retarda, porém, do que impede de crescer, não quero nem saber. O que atrasa crescer é ter ruptura, fenda, ferida. A luz escoa, a vida se esvaece. Como há muita vida, o tempo é extenso para que se esgote tudo de uma vez. Onde está a ferida? Em que parte o tecido se rompeu? Sabe dizer? Os que dizem nunca pensar sobre isso, morrem sem saber que dormem em jazigos. Desejo, como em oração, a você que lê, que tua vida seja plena, sem fissuras; e que, se por desventura surgir alguma, logo seja estancado o sangue e se cicatrize o que se rompeu. "As cicatrizes são remédio contra o mal, e curam o mais fundo das entranhas". Não há de importar quantas cicatrizes, só mantenha lembrança de onde vieram, e se afaste do que te fez mal. Cresça! Não critico ao que não consegue crescer, e compreendo essa condição. O que posso dizer, se não lamentar e desejar que enquanto haja vida que a esperança se sustente...

O MATERIALISMO OCULTA A SUTILEZA DA REALIDADE

Converso com os que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir. As crianças fazem o que veem seus pais fazerem e falam o que os ouvem falar. Quando se cresce, muda tudo, o que se vê e a quem se ouve? A identidade sabe bem. Mas, não vou partilhar sobre isso, não agora. Curioso foi assistir a uma aula de desenho e perguntar: o que você desenha, onde está? Respostas recorrentes: "Em minha cabeça". Quantas imagens são guardadas na cabeça, como cabem tantas, e como insistem em serem projetadas pelos olhos.  Para ver além da aparência, olha-se para o que sai. Vejo as imagens da mente, poderia ver simultaneamente com essas imagens o que se me apresenta aos olhos no presente? Imagens da mente parecem ser extemporâneas, pois como saber de que tempo elas são?  Imagens têm forma de conceitos?  Confesso que não sei. Sei que imagens são impactantes, principalmente quando se é criança, e quando são vistas pela primeira vez.  No entanto, mais impactante ainda ...

DIA PARA LAMENTO

Já tive dias de lamentar o pecado no mundo sem me preocupar em responsabilizar ninguém, só observar e ficar triste. Acho que por isso passei a gostar do simples, por ser bem claro, cheio de luz. O simples parece ser o equilíbrio. Em geral, somos como crianças, na maior parte das vezes não nos damos conta de estarmos em risco. Nossa condição é mesmo de pobre, por não termos posse alguma; em essência o que temos são necessidades.  Cegos, pois não conseguimos ver o que está adiante de nós, todos os caminhos que escolhemos parecem nos levar a bons lugares, e grande parte deles são caminhos que desembocam na morte.  Para seres de necessidade, quase tudo pode morrer: os sonhos, as expectativas, a alma.  Morte nem sempre tem conotação ruim, é necessário que a morte atue em muitos contextos; o importante é que a vida continue a agir, refazendo tudo novo e de um jeito mais crescido, retificado, alinhado.  Será que todos sabem que precisamos de vida; ela não é dada tod...