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Mostrando postagens de maio, 2015

DIA PARA LAMENTO

Já tive dias de lamentar o pecado no mundo sem me preocupar em responsabilizar ninguém, só observar e ficar triste. Acho que por isso passei a gostar do simples, por ser bem claro, cheio de luz. O simples parece ser o equilíbrio. Em geral, somos como crianças, na maior parte das vezes não nos damos conta de estarmos em risco. Nossa condição é mesmo de pobre, por não termos posse alguma; em essência o que temos são necessidades.  Cegos, pois não conseguimos ver o que está adiante de nós, todos os caminhos que escolhemos parecem nos levar a bons lugares, e grande parte deles são caminhos que desembocam na morte.  Para seres de necessidade, quase tudo pode morrer: os sonhos, as expectativas, a alma.  Morte nem sempre tem conotação ruim, é necessário que a morte atue em muitos contextos; o importante é que a vida continue a agir, refazendo tudo novo e de um jeito mais crescido, retificado, alinhado.  Será que todos sabem que precisamos de vida; ela não é dada tod...

ELE É O QUE É

"O ser é e o não ser, não é".  Foi um dito atribuído ao senhor Parmênides, a muito tempo atrás. De qual camada da alma ele se referia?  Será que falava dos que moram debaixo do sol? Pensemos juntos: Quem nem chegou a ser, não é ainda. Também não é o que já se foi. O que não era, mas passou a ser, conta os dias, pois sabe que se vai. O Nascimento, que talvez tenha nascido outra vez, disse em dado contexto: "Chegar e partir". O que é, nem chega, também não parte. É; sempre sendo, sendo, sendo ... Só sei de Um que é pra sempre, também sempre foi, é em todo lugar. É, mas não se deve falar seu nome, sem propósito, reverência e espanto. Seguramente, manter este zelo é sapiencioso.  Só os que ignoram que há um dono deste mundo que vivemos, não se importariam com cerimônia ou reverência. Por vezes dizem a qualquer hora e em qualquer lugar, só por hábito ou mau agouro, o Nome que está sobre todo nome. Penso que, não saber é um dos jeitos do não ser. O que poderia d...

TIRAR A CASCA PARA VER A BELEZA

Recipientes ... Parece platônico? Recipientes sim. Sei que logo se pensa em corpo, e o corpo é recipiente autônomo, se expressa, tem vontade e tem desejo de viver.  Um recipiente que tem vida, e que se confunde com o que recebe em si, tem a habilidade de obliterar. Obstruir, obliterar, impedir, conter e deter. Não me detenha. Formas em geral são recipientes; como não seriam, se delimita o espaço. Nele aparece o limite do que foi formatado. Recipiente não é algo banal; leviandade é pensar que seja.  Há recipientes preciosos, cheios de beleza e delicadeza. Há também os que são tão frágeis, sem o saber, que se rompem antes do tempo. Não despreze o que recebe em si, pensando ser só um recipiente ... Das coisas que tem matéria, o que não é recipiente poderia receber? Na severidade há o fechamento, a rispidez, não menos necessária para o equilíbrio da vida. Severidade será que é salpicada com sal? No amor, o doce se pode sentir. Doces podem ser as palavras, os sentiment...