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Mostrando postagens de 2015

A LÓGICA DA ALTERIDADE

Desde Aristóteles os tijolos de construção para a lógica foram os princípios de Identidade, Não-contradição e o Terceiro excluído.  Sabemos que pode haver o indeterminado, a dialética aponta para a contradição intrínseca das coisas, e a identidade poderia ser ampliada para a alteridade, ao invés de ser idêntico a si, ser idêntico a outro, em processo, com inserção do tempo. Ser idêntico a si mesmo não parece ser seguro, tampouco traz unidade, ao menos quando falamos de pessoas. Unidade é o que garante um sentido, pois, se não houver um sentido, uma ligação de coisas em relação, que significado pode ter? Seria um embaralhado de múltiplos espalhados por aí. Pergunta retórica:  De onde vem o comando para que os múltiplos se unam em uma unidade? Pleonasmo ... Eu sei ... Amor, entrega e confiança têm a ver com unidade. Interessante que amor tem a ver com sentimento, entrega com ação e confiança com razões. Mas, o maior deles é o amor. Razão e ação estão contidos no sentime...

IDENTIDADE? ... IDÊNTICO A QUEM? ...

Identidade é de natureza axiomática; não por menos é tomada como um dos princípios da lógica, talvez o mais fundamental. Originariamente "axioma" significa dignidade ou valor.  Identidade tem mesmo dignidade e valor.  Digno e com valor; idêntico a quem? Indentitas, Identity, Identité, Identität, Identità ... Não altera muito. Identidade como unidade de substância que une. Une?  Quem são os que se unem ... Q... Qu ... Que ... Quem ... Como se pode ser um? Indivíduo me parece um monismo de categoria fantasiosa, uma invenção. Na identidade no mínimo tem dois. O indivíduo é o que não se divide? Se é assim, me parece ser mesmo como disse.  Acredito em um  eu  bem tênue, que só é  eu  por um tempo, depois se divide, depois fica contido no tudo.  O Tudo tem poder para se espalhar e tornar a juntar, tem poder para morrer e tomar sua vida de volta. É tão poderoso que não se faz ver para deixar que o  eu  seja, sem que saiba...

NOTA SOBRE A ESTÉTICA DA INTIMIDADE

Por certo que intimidade e afinidade têm parentesco. A intimidade é para poucos, para os que pensam parecido, pois tem a ver com mostrar de si, e se o que ouve não se interessa, por que haveria de se mostrar? Parecem espalhados os que têm afinidades. O vento os soprou pra cantos diferentes. Também temos de considerar que para falar de si tem de se sentir bem confortável, à vontade, relaxado. Em ambiente que cheira à exigência ou crítica como se haveria de relaxar? Melhor tapar as narinas e se aquietar, fazendo da boca não o revelar, mas lugar de respiro. A capacidade de falar de si tem a ver com a doçura de expressar sem medo o que se sente: se agraciado ou agredido; sem que a culpa seja imposta, sem cobrar, pois, como cobrar o que não sabe nem que deve? Só se sabe o que se deve quando o alheio chora seu dono ... Para os que não vestem a culpa, quanto maior a afinidade, maior o poder de conexão, maior o encaixe. E quando o encaixe se ajusta, são poucas, se não só uma, as co...

PALAVRAS OCUPAM ESPAÇO?

Não tenho tido palavras nos lábios por este tempo. Elas estão cada dia mais quietinhas, sem nem que o respiro se possa ouvir. Creio que a sensação é de que tudo que era para ser dito já foi, e o que é, já foi também. No íntimo, as letras ainda estão a tecer o pensar, porém, de forma embaralhada, ou de maneira cifrada, que não me deixa entender.  Parece ser um processo em que, mesmo que uma palavra escape, ela não se ancora à outra. Parece estranho que as letras não se comuniquem, nem se deem as mãos; como também não formar frases, não gerar entendimento; devem estar meditando em solidão. Que estranho estado esse, pois a muito que aprendi que letras matam ou fazem viver; mas sobre as que não se relacionam, essas ainda não conhecia. E que espaço as palavras, frases, versos, textos, longos escritos ocupam? Se não estiverem nos suportes de papel e nos de luz, para onde vão? Não é uma pergunta razoável? Para onde será que elas vão quando se calam? Para as montanhas, como os eremi...

UMA ORDENANÇA: CRESÇA

A vida diz: "Cresça!" Por que haveria de não obedecer? ... Sei do que retarda, porém, do que impede de crescer, não quero nem saber. O que atrasa crescer é ter ruptura, fenda, ferida. A luz escoa, a vida se esvaece. Como há muita vida, o tempo é extenso para que se esgote tudo de uma vez. Onde está a ferida? Em que parte o tecido se rompeu? Sabe dizer? Os que dizem nunca pensar sobre isso, morrem sem saber que dormem em jazigos. Desejo, como em oração, a você que lê, que tua vida seja plena, sem fissuras; e que, se por desventura surgir alguma, logo seja estancado o sangue e se cicatrize o que se rompeu. "As cicatrizes são remédio contra o mal, e curam o mais fundo das entranhas". Não há de importar quantas cicatrizes, só mantenha lembrança de onde vieram, e se afaste do que te fez mal. Cresça! Não critico ao que não consegue crescer, e compreendo essa condição. O que posso dizer, se não lamentar e desejar que enquanto haja vida que a esperança se sustente...

O MATERIALISMO OCULTA A SUTILEZA DA REALIDADE

Converso com os que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir. As crianças fazem o que veem seus pais fazerem e falam o que os ouvem falar. Quando se cresce, muda tudo, o que se vê e a quem se ouve? A identidade sabe bem. Mas, não vou partilhar sobre isso, não agora. Curioso foi assistir a uma aula de desenho e perguntar: o que você desenha, onde está? Respostas recorrentes: "Em minha cabeça". Quantas imagens são guardadas na cabeça, como cabem tantas, e como insistem em serem projetadas pelos olhos.  Para ver além da aparência, olha-se para o que sai. Vejo as imagens da mente, poderia ver simultaneamente com essas imagens o que se me apresenta aos olhos no presente? Imagens da mente parecem ser extemporâneas, pois como saber de que tempo elas são?  Imagens têm forma de conceitos?  Confesso que não sei. Sei que imagens são impactantes, principalmente quando se é criança, e quando são vistas pela primeira vez.  No entanto, mais impactante ainda ...

DIA PARA LAMENTO

Já tive dias de lamentar o pecado no mundo sem me preocupar em responsabilizar ninguém, só observar e ficar triste. Acho que por isso passei a gostar do simples, por ser bem claro, cheio de luz. O simples parece ser o equilíbrio. Em geral, somos como crianças, na maior parte das vezes não nos damos conta de estarmos em risco. Nossa condição é mesmo de pobre, por não termos posse alguma; em essência o que temos são necessidades.  Cegos, pois não conseguimos ver o que está adiante de nós, todos os caminhos que escolhemos parecem nos levar a bons lugares, e grande parte deles são caminhos que desembocam na morte.  Para seres de necessidade, quase tudo pode morrer: os sonhos, as expectativas, a alma.  Morte nem sempre tem conotação ruim, é necessário que a morte atue em muitos contextos; o importante é que a vida continue a agir, refazendo tudo novo e de um jeito mais crescido, retificado, alinhado.  Será que todos sabem que precisamos de vida; ela não é dada tod...

ELE É O QUE É

"O ser é e o não ser, não é".  Foi um dito atribuído ao senhor Parmênides, a muito tempo atrás. De qual camada da alma ele se referia?  Será que falava dos que moram debaixo do sol? Pensemos juntos: Quem nem chegou a ser, não é ainda. Também não é o que já se foi. O que não era, mas passou a ser, conta os dias, pois sabe que se vai. O Nascimento, que talvez tenha nascido outra vez, disse em dado contexto: "Chegar e partir". O que é, nem chega, também não parte. É; sempre sendo, sendo, sendo ... Só sei de Um que é pra sempre, também sempre foi, é em todo lugar. É, mas não se deve falar seu nome, sem propósito, reverência e espanto. Seguramente, manter este zelo é sapiencioso.  Só os que ignoram que há um dono deste mundo que vivemos, não se importariam com cerimônia ou reverência. Por vezes dizem a qualquer hora e em qualquer lugar, só por hábito ou mau agouro, o Nome que está sobre todo nome. Penso que, não saber é um dos jeitos do não ser. O que poderia d...

TIRAR A CASCA PARA VER A BELEZA

Recipientes ... Parece platônico? Recipientes sim. Sei que logo se pensa em corpo, e o corpo é recipiente autônomo, se expressa, tem vontade e tem desejo de viver.  Um recipiente que tem vida, e que se confunde com o que recebe em si, tem a habilidade de obliterar. Obstruir, obliterar, impedir, conter e deter. Não me detenha. Formas em geral são recipientes; como não seriam, se delimita o espaço. Nele aparece o limite do que foi formatado. Recipiente não é algo banal; leviandade é pensar que seja.  Há recipientes preciosos, cheios de beleza e delicadeza. Há também os que são tão frágeis, sem o saber, que se rompem antes do tempo. Não despreze o que recebe em si, pensando ser só um recipiente ... Das coisas que tem matéria, o que não é recipiente poderia receber? Na severidade há o fechamento, a rispidez, não menos necessária para o equilíbrio da vida. Severidade será que é salpicada com sal? No amor, o doce se pode sentir. Doces podem ser as palavras, os sentiment...

ENTENDER, VER E SENTIR

Príncipe da Paz, como não me comover intimamente? Eu cri, mas precisei conhecer. Para poder conhecer, pedi por sabedoria, e ela me foi concedida. A sabedoria não vai ao que por desejo de ostentação tenta se apropriar dela, mas vem quando e a quem é concedido vir. O desejo que conduz à vida, e à benção, é ouvido e atendido.  Do que podemos deliberar, o desejo é o que grita mais alto, pois é de pronto ouvido. Desejo retificado é como desejar andar na luz, sem tropeço, nem acidente, porém com surpresas. Mas, as surpresas, todas elas, cooperam para o bem dos que te amam, pois, num crescente: ouviram, creram, entenderam, viram e experimentam. Experimentar é o que está no presente, pois é da ordem das qualidades .   Quem poderia experimentar por mim, ou eu por alguém? Será que ouvir é ver com o coração? Ouvir é ser generoso, pois demanda vigor, e, atenção demanda muita energia. E quando o conhecer transborda sem se calar? Paz é o que vem e aquieta. Amo tua paz, que é uma ...

VAMOS PENSAR SOBRE EXTREMOS?

Hoje senti vontade de dar 'oi'. Então: Oi! Esse assunto da conversa tem a ver com a velha antinomia, que, como acontece na moda, muda uma gola, um jeito de costurar o barrado, uma cor mais jovial e se apresenta como um outro, novo, que em essência é o mesmo tecido. Lembrei de pensar: "Não se costura remendo de pano novo em tecido velho". Se faz necessário nascer de novo. Você já deve ter suspeitado qual das antinomias me refiro, não? ... Exato!! Os extremos substantivos, Sujeito x objeto. Um sujeito sem objeto seria hetério, e um objeto sem sujeito, vazio. Mas, antes disso, depois de ter perguntado ao distinto Sr. Kant, podemos experimentar ou observar os extremos? Uma alma cheia de perguntas é mesmo bem inquieta e não sossega, mas sua motivação vem de boa ansiedade, àquela que impulsiona pra profundidade, para o íntimo. Esse processo é o do 'faz crescer'. Então, ao mergulhar, pode-se chegar ao fundo? E ao voar, se chega no teto? O problema se complic...

JUSTIÇA E VERDADE

Sabe ... Estava pensando ... Observando ... Refletindo ... Como poderia existir justiça sem que haja verdade? Há uma máxima: "O justo é o combinado". Porém, nem tudo que seja cominado é de fato bom. Poderia ser para prejuízo de uma das partes, ou das duas, se a ignorância selar esse acordo. Mas, ainda que não seja bom, como é belo ver uma promessa sendo cumprida, um acordo sendo honrado. Os gregos tinham razão, são indissociáveis: Justo, bom, belo e de verdade. Os gregos, que são bem notórios, conquistaram credibilidade, mas havia essa noção bem antes, pois as pessoas estavam lá antes dos gregos. Não eram só os gregos que eram pessoas, ou que pudessem pensar; já pensavam antes, refletiam, observavam. A arrogância do desejar ser melhor cega tudo mesmo ... Que triste. Quem já leu histórias míticas bem sabe que as pessoas (e o que não eram pessoas) estavam lá. Tramas complexas, desejos intensos, verdades veladas e as reveladas também.  Entre os que estavam lá, haviam os...

CHEIOS DE VONTADES

Estado volitivo parece ser por natureza. O que seria uma vida sem vontade, com volição suspensa? Ter muito conhecimento não significa ter boa vontade. Posso conhecer sem precisar escolher ... Vontade deve servir pra saber o que escolher, ao menos é o que me parece. E será que é possível viver sem fazer escolha? Nem que seja entregar a decisão a que outro decida, parece ser uma escolha. Qual o objetivo de viver aqui ... Ou ali? Tem muitos, em tempos diferentes. Qual o maior deles? Será que olhando de perto, as muitas escolhas traduzem uma mesma? O véu que cobre a consciência torna opaco o conteúdo do que se deseja. O inconsciente tem muito mais de si a que o que se mostra por meio do que vem a se tornar consciente. "Os incautos não percebem isso." Quanto mais se é um ser de vontades egoístas, mais se atraí frequências de baixa intensidade. Para o Muitos tem de ter frequência alta, pois não precisa acalçar só um. O mundo se move por princípio de economia. Economizar é m...

POUCO SABEMOS

A arrogância me assusta, com susto de pular pra trás.  E o que seria não a ter por perto? "Só sei que não sei" pode parecer retórico, mas é tão sincero saber que não sabe. Quando se é amplo, saber que não sabe é quase como dizer que o que se sabe não é relevante. Saber que não cria o espaço, nem sustentam o lugar talvez nem seja saber.  Poderia parecer ser o mesmo, saber ou não saber. Se houvesse garantia de que saber poderia mudar o curso, fazer discernir o que é bom, forjar desejos que não são contra si, mas a favor. A impotência pode agir no não saber como no saber. Tantos vieram antes de nós, e o que é que sei que já não sabiam; tantas leis há que não se sabe até hoje.  Acho este um tempo do estar convencido que se sabe. Mas, não me parece que saibam o que estão fazendo, é possível que não saibam das leis. O amor por saber, ainda que se detenha na vontade de poder, tem seu fim último no desejo de ser feliz. Não é assim? A felicidade tem porta estreita; a da a...

FIAR E CONFIAR

Quem confia que arque com o dano, se houver algum.  Confiar é tornar-se fiador. O fiador, quando se compromete a garantir que a dívida seja paga, o faz na esperança de que o que deve salde a dívida. Se, e somente se, o que deve não pagar, o fiador quem o irá fazer. Quando se vive em tempo que a verdade aparente entra em colapso, e o que se fala é escrito no gelo, quem se tornaria fiador de alguém? Já pensou, pagar o que não se deve, assumir a dívida do que gastou. Só se pode fazer isso por amor, ilusão de poder ou por medo. Pode ser esta uma forma de se aplicar critério para saber em quem confiar, pois a confiança não pode ser dada a qualquer um. Que tolice o que assim procede, pois poderia se endividar de contínuo. E quem tem tanto crédito, e que seja tão rico que pague de contínuo? Os que se fiam em si certamente temem, ou se permitem iludir, até por saberem que 'maldito o homem que confia no homem, e que faz de seu braço sua força'.  Há provérbios que mesmo que não t...