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Mostrando postagens de 2014

OLHANDO

Reparar, observar, fitar, mirar, olhar ... Pode ser que olhar seja um ver demorado ... Na duração do olhar pode estar a intimidade ...  E, para quê intimidade?  Aquilo que está dentro, que se move no interior, por vezes só se mostra para o que sabe olhar. Para o que deseja ver, quando se deseja encontrar o profundo e o escondido, o que não está na superfície. Em geral o que se guarda escondido tem muito valor. Pode-se não ter intento de ter segredo, mas se não há quem olhe o segredo já está. E o segredo insiste, tem teimosia? ... Talvez dependa do alcance do olhar, pois é por onde entra o desejo de querer estar, ou de ter.  Mas, o ter não entra na intimidade, por que nem pedir pra entrar pede.  Acredito que pode-se ter sem querer saber, sem querer olhar, só pra prender e deixar ali, sem se dar conta.  Talvez por isso, que o que perde atina, atenta para o que perdeu, por não estar mais no alcance do olhar, por não poder entrar.  Só pode entrar pra...

PORQUE TODOS CARECEM DA GRAÇA DO DEUS DE PAZ

Durante algum tempo acreditei não precisar de quem me salve. Salvar do quê, pensava eu ... Quando se tem a ilusão do controle, em que as representações que temos do mundo parecem encaixar, ao menos em superfície, assim nos tornamos ébrios; e assim, não parecia carecer de quem tem poder pra salvar.  Aaaaaa ... Mas, a angustia faz lembrar. Lembrei de ouvido que o Salvador é socorro bem presente na hora da angústia. Gracias! Então, entrei no corredor da digressão e passei a configurar: Por que somos forjados a pensar que a vida começa em nós? Ou ainda, pensei na ideia insistente de muitos que acreditam que outras vidas caberiam em um mesmo ente, que existências passadas houve e que elas coubessem no ego presente; agora me parece que só na primeira coube, pois, aos homens foi ordenado morrer uma só vez, vindo depois o juízo.  O ego bem sabe julgar, com dedo em riste. Só o que tem poder sobre a morte pra ordenar que seja assim, que não se deve morrer muitas vezes, basta que...

DESEJO ENTRELAÇADO COM RAÍZ PROFUNDA

Amado da minha alma, pra quem entrego meus dias, por quem meu íntimo suspira e que anelo desde muito tempo do que sei contar; amado que me espera sair de mim, deixar o que não é meu, soltar o que retenho e que em nada é necessário, pra ficar leve e voar para ti. Tua doce companhia não foi percebida por um tempo, e por um par de minutos negligenciei teus conselhos, pois ao invés de buscar sentir, queria saber, e no saber tua presença não cabe. O que É, não pode ser contido em recipiente tão estreito.  Como disse um conhecido, só um Deus muito poderoso pode ter paciência para esperar que se amadureça. Só um Deus muito poderoso pode pinçar com delicadeza a pele que me dá ilusão de proteger o que não sou capaz, nem me compete zelar.  Amado da minha alma, a vida é tua expressão, em ti está contida. Se nem da vida conheço, quanto menos saberei de ti; mas, não me contento em não saber. Porém, agora, quero também sentir, quero experimentar. Teu fôlego é o que dá realidade a min...

EXISTEM MUITO MAIS COISAS FORA DO NOSSO CONTROLE

Geração arrogante, mesmo sendo bem menor que grão de mostarda, ensina a como fazer o mesmo aos que ainda hão de vir por depois, como se tudo tivesse início em seu tempo de vida. Pensa saber tanto, faz afirmações concisas, fala a respeito de impossibilidade lógica, permite-se a intolerâncias diversas, faz como lhe dá prazer (sem nem saber de onde ele vem), pensa poder encerrar tudo em uma mente só, ou em poucas porções, o que é centelha de um incontável coletivo de grãos bem pequenos. Nem a mente sabe o que é ... Nem corpo sabe dizer no que consiste ... Quer falar sobre o mundo? ... Como criou a si, sem nem mesmo saber como repetir a experiência? Que espécie de ciência é essa, sem fundamentação última. Seres de baixa frequência se contentam com o que está rasteiro, seguem por arrastar o ventre no chão; perspectiva rasa, baixa, quando se vê com o ventre colado ao chão. Amplie sua onda, deseje estendê-la, pois a boa nova é que o céu conspira para os que querem chegar a frequências de ...

O QUE NÃO É CONSCIENTE PERDE-SE NAS PARTES

Estar em um lugar não significa que se esteja por inteiro. Pode até dar a aparência, mas basta ver o olhar e ouvir o que se fala pra flagrar se há presença ou ausência presente.  Já vi pessoas sem partes, que não sobrou nem um pedacinho de si; a casa ficou vazia, só ficaram as paredes banhadas de escuridão. É tão comum e fácil perder o desejo de um dia ser um inteiro, e deixar configurar-se em muitas partezinhas espalhadas por aí; até que o vento leve para longe ao ponto de não saber voltar, se é que partes sabem ir ou voltar.  Quer saber? ... Acho que partes nem sabem andar, tampouco trilhar caminhos. Penso que partes nem alfabetizadas são, muito menos poderiam dirigir-se pra algum lugar sem que sejam levadas.  Pelo que sei, só consciência sabe para aonde quer ir, assim que o corpo anda com rumo. Partes de corpo fora do corpo nem vivas ficam; e a gente bem sabe, que se sai a vida, sobram só paredes.  Também não sei se partes flotam. É bom ficar atento, porque...

COMO FAZER CRESCER A ALMA

Sabe ... Como não vou acreditar em uma dupla natureza que há num mesmo corpo. Pensando melhor, tripla ... Há o Um, mas que só se reduz até o três. O um que é três. Devo voltar a aprender a contar, para também contar os dias, e saber que para o corpo o limite do tempo está posto, mas para fazer crescer a alma, esse limite não se impõe. Para correr da ignorância se tem de expandir, e deixar de ter de gostar de um ou outro, querer bem a um ou a outro. Fugir da aparência da utilidade vazia, sem finalidade, a que tem por nascente o egoísmo, no exclusivo amor a si. Coisa de quem não quer crescer. Me parece que quando se fica na superfície o que subjaz fica vazio. O vazio, se ocupa. A questão é quem (o quê) irá ocupá-lo.  A consciência precisa estar atenta para que o vazio não se instale, ou quem não deveria estar no que não lhe pertence. Bem se sabe que a consciência não deve ficar fora de casa. Já ouviu que quando se encontra a casa limpa e vazia, após ter sido expulso o invaso...

O LUGAR DA EXPERIÊNCIA É O SUJEITO

Como poderia olhar o mundo se não a partir da experiência? Ler uma boa narrativa é uma experiência, porém em grau menos elevado a que a experiência vivida per si . O rapsodo não nos pode contar o que havemos de sentir ao experimentar. Sentir envolve todos os sentidos, inclusive o coração. Quando um narra, ou argumenta, nos afeta; de um ou de outro modo nos afeta. Mas, a alteridade do mundo dos fatos parece ser reverberante, traspassa por onde reverbera e também pode unir as partes que antes não se compreendiam. Significados são muito mais que letras, são vivências, palavras em ação.  E como saber o que o outro viveu? Só posso imaginar, e saber o que me disser, e acreditar. Por isso é importante saber se a fonte, que se tem de acreditar, ama a verdade, ou seja, está comprometida com ela. Será que trocou aliança? Se não está, não creio que seja frutífero apoiar-se nesta. Ela nem precisa de intermediários mesmo, pode dar-se a conhecer a quem se afeiçoa. A verdade compromete-se ...

O MELHOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS

A algum tempo atrás, ouvi um índio falar muito sobre perfeição. Dizia ele: "(...) Quando formos perfeitos". E ainda: "Os que são perfeitos (...)". Desconfiei daquela fala e pensei ser aquele índio demasiado ocidental. Parecia pensar como um clérico. Até que quase por impulso perguntei: - O que é ser perfeito? E ele me respondeu: - Ser perfeito é saber tudo. Aí sim, vi que era mesmo um índio, pois resposta inusitada assim, e tão coerente, não tinha ouvido ainda. Por certo quem lhe ensinou, sussurando às farfalhadas, ou por suave brisa, imagino eu, foi a Natureza. Temos tanto que aprender com os índios, temos de achar o caminho de volta.  O corpo chega num ponto que se definha, pode nem ter sido perfeito, sabendo pouco, não crescendo muito, por fim ele definha. Já, o espírito ... Aaaa ... O espírito pode crescer, seja o corpo que for, quem sabe até a estatura do perfeito. Existe uma promessa que diz ser assim. E o que prometeu não mente, é Ele próprio o...

SOBRE A REALIDADE DA PALAVRA

Sem a pretensão de provar, mas por sentir, sei que o mundo é feito da Palavra. São assim: Primeiro vem a Palavra, que forma tudo, depois ela se condensa e vira energia, e por fim, se condensa ainda mais e se mostra como matéria. A matéria é a palavra que se cristalizou, pois a quem obedecem os elementos subatômicos, se não a um comando? Esse comando reconhece a voz do que sustenta tudo com a Palavra. É Aquele que tem poder para ligar e para desligar.  O natural é reconhecer a voz do que o criou. Deveríamos ouvir a deontologia que se alinha ao que é natural. Muitos se comunicam, de acordo com os múltiplos modos de se acessar e trocar informação.  Mas, falar ... Falar é para poucos. Já se perguntou o porquê falamos? Tempo desses perguntei, e riram-se, julgando ser uma pergunta estúpida. Seria mesmo? ... Acho tão extraordinária a nossa existência, sermos seres de fala.  Falamos com sintaxe, com semântica e na Pragmática. Uau!! Quantas categorias! Não poderia dizer...

"HABITAR MEU NOME"

Uma das invenções com consequências desastrosas é a ideia de indivíduo.  Como pudemos acreditar? ... Pensando sobre isso, te parece plausível? Pensemos juntos, por algum momento: Para haver indivíduo este tem de ser Um, e esse Um tem de ser inviolável, não seria assim? O inviolável não pode se dividir, pois é indivíduo e não "divíduo". De onde tiramos a ideia de que isso tem a ver conosco? Estamos em tantos e tantos em nós. A divisão parece ser nossa condição primeira, pois as escolhas, ao menos duas, sempre se impõem aos seres de possibilidades diversas, cobrando-nos uma posição.  A própria ideia de identidade parece ser contrária a de indivíduo. Para se ter um idêntico deve haver no mínimo dois, um igual a si mesmo. Neste sentido, Hegel foi perspicaz, ao trazer à tona a negatividade e expor que o não-ser é também o outro do ser.  Sobretudo, esse ser é feito de muitos movimentos, movimentos que exigem de violência, movimentos violáveis.  Ele se desdobra a cad...

O "SUJEITO DO ESTAR"

Trago comigo a consciência de que, em última análise, traçar linhas que delimitem a forma a um sujeito vivo não é verdadeira, mesmo tendo pretensão de verdade.  Pois, dar forma seria semelhante a julgar.  Explico o caminho pelo qual cheguei até aqui ... Julgar implica não somente em sentenciar.  Em termos incipientes, há uma estrutura  que envolve o juízo, que à princípio é a de descrever a alteridade, o sujeito de estar do outro. Nesta dinâmica, as generalizações parecem servir de modelo para reduzir o tempo de determinação do juízo sobre os particulares.  Esta estrutura poderia estabelecer critérios do quanto vale e o que merece receber o que está sob judicação, para sentenciar o lugar que há de ficar e por quanto tempo, ou mesmo o que fazer com o que é julgado. Mas, como saber o tamanho das coisas que se movem? Aonde elas irão caber? Das coisas que se esticam e se encolhem e não param em residência fixa, como prever? Se se pretende rigor ao julgar, um ...

TOPOGRAFIA DE UM LUGAR EXPERIMENTADO

Já esteve em um lugar que se sabe onde está, mas não se sabe como fez para lá chegar? ... Falo de um lugar sem chão. Estive lá hoje, pude me expressar, advertir, comunicar, indicando o único caminho, o caminho da vida plena, da vida feliz. Que são vários os caminhos, isso já se sabe. Mas, sabemos que temos de seguir por um, escolher seguir um único curso. Escolher mais de um é vagar. A quem hoje falei, há de saber que fui eu, pois eu também sabia saber. Estávamos juntos, numa canoa sem remo. O perigo era eminente, e a face, já bem machucada, expressou estar presente, com olhos bem abertos, desejando não mais sentir dor. A presença se concretiza quando a percepção da consciência presente se manifesta em conexão. A topografia das coisas que não se veem, mas se sente, podem manifestar qual o caminho escolhido. Pois eu grito: "ESCOLHA A BENÇÃO E ESCOLHA A VIDA". Maldição e morte não servem de nada, só pra fazer sofrer, são um eterno lamento. Pessoas são preciosas...

PESSOAS, LUGARES E CAMINHOS

Muitas vezes a impotência é o que se pode sentir, quando se quer ajudar, mas não se sabe como. Saber o que precisamos não é uma tarefa fácil.  Não sei se carecer é o mesmo que necessitar. Mas, sigamos pela necessidade, então. Creio que comecei a entender a necessidade pela Paz. Sabia que precisava de Paz, e que não viveria bem se não a buscasse. Mas, a Paz foi um começo, um ponto de partida de uma jornada que está em andamento.  Parece que quem tem caráter, tem também a paz. Já li que para se formar o Caráter é preciso longo tempo.    O critério de relevância aplicado foi o de buscar ter caráter.  Teria de perseverar na coerência, oras.  A malha foi sendo tecida, e mais um fio se juntou à trama, a Narrativa.  Lembro-me de dizer uma vez, quando pretendia produzir Arte, desejava que essa Arte não fosse oca, um papel em branco. De que adiantaria ter forma sem ter nada a dizer. Com as somatórias das escolhas se pode fazer um enredo, mas, como es...

DECLARAÇÃO DE AMOR

Santo, eu te desejava sem saber quem era. Não sabia quem eu era nem sabia da Tua Santa Natureza. Mas, te desejava. Sabe por quê? Eu desejava Excelência, Justiça, Pureza, Verdade. Aaaaaa ... A Verdade sempre me atraiu, pra tão pertinho, sussurrando em meu ouvido, até que eu chegasse pra dizer: Estou aqui, Santo. Tuas Palavras, mesmo sem eu saber exatamente do que se tratava, por serem altas demais pra que eu pudesse entender, me atraiam. Sabia que se encaixava bem em mim. Tuas Palavras são as minhas vestes. Que roupa mais linda, brocada de Amor! Não poderia ter pensado numa mais deslumbrante, Santo. Santo, Te amo tanto. Tinha medo de te perder, e os que eram figura tua pra mim, ainda que distorcida, denunciavam esse medo.  Perdão, por fitar a figura distraindo-me do Que a fez. Santo, sei que ali estava, com teus olhos cheios de luz, com o coração aberto pra me acolher e cear comigo. Hoje estou no gozo do meu Senhor.  Santo, Te reconheço, reconheço Tua Voz. Chama pelo me...

O PRAZER EM DAR FAZ ABRIR O SISTEMA

Há algumas disposições que percebo serem raras nos muitos e encontradas em alguns. Tenho forte impressão que muitas das relações que envolvem disputa de poder, se não todas, são de um modo que forçam ou tentam degenerar o que não tem o mesmo intuito.  Sabe do que estou falando? Posso falar de um caso: O desejo de servir pode ser interpretado como fraqueza, como subserviência rendida. A primeira interjeição poderia vir assim: - "Serve por não ter outra opção, se não certamente só iria desejar ser servido". Esta interjeição tira toda a dignidade do servir. Por que não poderia haver o sentir prazer maior em dar a que o prazer de receber? Ambos podem ser prazerosos, mas também poderiam ser sem prazer algum.  O que me vira o rosto com os dedos nas bochechas para reparar é que pode haver o que só quer dar, e por consequência, ou semeadura, o receber é que passa a lhe vir ao encontro. Não se poderia ocorrer assim? Eu já vi ... Ao dar, o sistema é aberto. Se somos sistemas fe...

AS GENTILEZAS TORNAM A VIDA MAIS AGRADÁVEL

Aaaaaa ... as gentilezas ... ai, ai ... Um poeta e profeta andou pelo Rio falando pelas ruas dessa cidade que gentileza gera gentileza. Por vezes aborta, mas na maioria das vezes gera sim. A gentileza só não pode ser bem vinda quando a desconfiança se torna necessária. Melhor ainda se o que for gentil o for só por ser, sem querer nada além de doar-se, sem querer impressionar, nem mesmo seduzir ou controlar. Gentil, há pessoas que nascem recebendo esse nome e outras que poderiam ser rebatizadas.  Houve um tempo em que o nome estava intimamente conectado à identidade. Os gregos clássicos identificavam o nome à cidade de origem, foi o caso de Zenão de Sítio e o de Eléia, as cidades diziam que não eram o mesmo.  Em outro dizer, se sabia quem era, ao se saber onde nasceu.  Ainda que se repetissem, os lugares não eram os mesmos. Mas, parece que nesse tempo não se deslocavam muito, só os aventureiros, destemidos, como Ulisses, pois era difícil, lugares inóspitos, nem tinha...

O BOM OLHADO

Quando a vida está presente, o natural dos olhos só pode ser o brilho, assim como as superfícies bem polidas. Os olhos curiosos parecem com os bebês que levam tudo à boca, parecem querer trazer pra dentro de si os muitos estímulos.  Tanto beleza como feiuras podem entrar no olhar, e também torná-lo cativo.  Se a superfície fica opaca, sem translucidez, basta limpar os vidros. E como saber quando estão sujos? Só se o dono do olhar reparar os vidros e não deixar as cortinas fechadas. Olhos baços, com arranhaduras e sem translucidez, com fissuras e trincados se turvam, as imagens se distorcem e as vistas já não veem mais, não o que se está à frente, mas só borrões. Os que só olham num mesmo ponto comprometem a musculatura e as dobradiças, desembocam na perda da mobilidade do que se pode focar. Deve ter o pescoço duro aquele que foca sempre num mesmo ponto, como os homens da alegoria de Platão. Pobres, esses nem poderiam movê-lo, pois estavam presos por correntes, nem de...

A HONRA FAZ RECONHECER O VALOR

A quem de direito, que seja dada Honra. Ser atribuída honra traz aos olhos o valor, confirma no interior a sensação de pertencimento: "Você é bem vindo". Seu contrário, a Rejeição, gera uma repulsa violenta. Quem desejaria experimentar? Este é um dos maiores e mais intensos temores. Rejeitar é ter negado o lugar. Enquanto que a honra entroniza e estabelece num espaço.  O desconforto é gerado quando o que é honrado não deveria ser. O lugar em que se escolhe estar está intimamente ligado ao que se escolhe ser.  Não diz o ditado repetidas vezes: "Diga-me com quem tu andas e te direi quem tu és".  Poderíamos pensar em um outro alerta: "Diga-me para onde irás e te direi se irei contigo". Ser peregrino necessariamente está entrelaçado a ter um caminho. Por qual caminho devo andar?  Parece tanto com: Como devo agir? Vou agir como este ou aquele? Pelo caminho estreito ou larga estrada?  Engatinhando ou a passos largos? Isso depende da confiança, da cer...

A DESCONFIANÇA FAZ DISTORCER O OLHAR

A desconfiança condiciona o olhar, formata conceitos, e esses se instalam, programam as crenças e o agir, inclusive do outro, do que atua próximo, e por muitas vezes esse outro acaba por reagir como se esperava. Para esse que padece de grave desconfia: ' O que era foi, e o que há de vir também já foi'.  Nestas condições seria compreensível  (não justificável)  a rebeldia, o agir violento de quem julga que as pessoas são todas iguais, e espera delas contraditoriamente o que deseja que fosse e o que já formou na imaginação recorrente do que julga ser justo que seja. Deve pensar: "Será que ninguém está vendo? Não vão fazer nada?!" Como sair dessa prisão solitária se não pela violência?  Por certo, o ignorar faz perecer, ajuda a enterrar o que está preso em um padrão.  Como não se revoltar ou se entediar em um mundo do 'já vi isso antes' ou do 'já sabia que seria assim'? Digo com voz de autoridade, como testemunha de quem viu que é assim: Não! Elas,...

ESTÉTICA

A palavra "Estética" é fluente na boca e nos ouvidos. Todos parecem saber do que se trata, mas confesso que eu não estou segura assim, ao menos não como os demais que parecem saber. Faz algum tempo que ocupo-me em entender o que significa, não só a palavra, mas de onde veio, para que serve e quem a fez. Essa proparoxítona já me tirou o sono por muitas vezes, mas não de um jeito ruim, foi proveitoso. Por onde procurei, o que de mais próximo achei junto à Estética foi a Forma, esta é sua pedra de toque. Ainda agora pensei: Será que existe algo que não tenha forma? Se existe forma a Estética está para nos ensinar a entendê-la, ou senti-la. Sentir talvez seja o verbo mais adequado. Quero deixar claro que entendo que sentir não exclui o pensar, o amplifica. Quando penso, ou quando sinto, os dois faço em algum lugar. Nem sempre esse lugar a que me refiro só diz respeito às dimensões que estamos habituados a perceber, existem muitas mais. Perceber essas outras, quer enten...

DEIXAR ...

Hora de deixar.  O medo de perder parece ser tão comum, tão frequente, poderia dizer até constante. Ninguém parece querer perder nada. Ganhar sim, perder, se possível, nunca. Em geral, parece que se deixa ir o que não tem valor, mas o que tem fica! Talvez as almas de grande estatura não pensem assim, e também não ajam desse modo. Não reter é deixar ir. Não reter é também saber dar. Saber dar está implicado em dar-se, quer seja por inteiro ou aos bocados. Ainda que uma lasquinha, o que deixa ir, dá de si, rasga seu limite. Não deixar ir até que não possa mais segurar só adia o sofrimento, a angústia também e intensifica a ansiedade.  O que há de muito profundo a se fazer, ou aprender a fazer, e principalmente querer que seja assim, é não querer reter. A ilusão de reter, ou reter por um tempo, exige força que vai de encontro ao fluxo da vida. A vida sempre transborda, não é possível retê-la, detê-la tão pouco. Ela se impõe. A excelência está no respeito ao não servir d...

A SOMA DOS MUITOS 'UM'

Dizer que ninguém tem nada a ver com o que cada qual faz,   deveria ser considerada uma frase sem sentido.  Acaso poderia haver alguém por completo desconexo? Que não se ligue a nada nem a ninguém? Não ... Não creio ser possível. O nascer de alguém já nos faz pensar que temos origem, e que viemos de um lugar que também teve sua origem, e assim viajar,  sem ser no tempo,  por milhares de anos, se se quiser, buscando onde tudo começou. Tantos já fizeram assim.  Também poderia procurar ainda mais atrás, em Um acima de muitos outros. Origem tem poder para conectar, lança suas marcas para bem longe de si. Pode também se revelar e fazer lembrar que a volta é possível, se se foi pra muito longe. Aonde tem vida há esperança, afinal é ela, a vida, que faz mover, seja para a direção que for. Só para fazer um comentário do que não é o assunto, a mim me parece que a indiferença é um ressentimento do que rejeita sua origem, ou o que julga ser rejeitado por ela. Deve fa...

O CORAÇÃO É TAMBÉM UM ÓRGÃO PERCEPTÍVEL

"Deja que un hombre beba en esos  pensamientos que le vienen al contemplar el universo psico-físico  sin ningún propósito especial; especialmente el universo de la  mente que coincide con el universo de la materia. La idea de que  hay un Dios por encima de todo eso por supuesto surgirá a menudo;  y cuanto más la considere, más le envolverá el Amor por esa idea.  Se preguntará a sí mismo si de verdad hay un Dios o no. Si permite  hablar a su instinto y busca en su propio corazón, encontrará al final  que no puede evitar creer en él".  (C. S. Peirce, CP 6.501) Insisto tanto em falar em 'lugar' que sei que me repito. Devo pedir desculpas?  Em primeira pessoa, creio que somos seres de estado. O Ser que É se revela ao que lhe percebe com mente desperta e coração sincero, tem poder para levar para o lugar de entendimento, de revelação. De fato, um coração sincero quem haveria de desprezar? Só os tolos o fariam. Enquanto nós estamos, e pa...

A BUSCA DO LUGAR QUE SE TEM PARA SI

A verdade é tão sublime! Lembro-me de desejar, e ainda é assim, uma verdade dura a que uma mentira aconchegante. A verdade me atrai, lança seu olhar de luz e me traz a si, move-me a buscá-la e mexe minha vontade de modo a querer morar consigo.  Difícil não é saber o quanto ela vale, mas quem ela é, onde, com quem está. Há muitos os que se fazem passar por ela. Seduzem e não sustentam as promessas que fazem, aí que se descobre o disfarce. O discernimento ajuda a ver, já para evitar o engano e a mentira, que são os que se fazem passar pela verdade. No entanto, não nascemos discernindo, bem pelo contrário. Os que estudam o desenvolvimento cognitivo de seres humanos dizem ser assim, que as crianças aprendem no tempo a separar uma coisa de outra coisa. O senhor Charles Peirce, homem de muitas letras e números, disse ser o 'erro' que nos faz ter consciência de que há um outro, e que esse outro não é o eu.  E, assim é, separando uma coisa de outra coisa, aprendendo a reparar na...

O VÍCIO DE SE DEIXAR GUIAR POR UM PADRÃO

Observando com demora reparei que é uma ilusão pensar que haja algo que não possa ser lido, que fique escondido ou que não se possa ver. Que bom que é assim! Há muito a que ser visto!  O que parece ocorrer em maioria é não saber, ou não querer ler. Bem que se disse: Conhecimento e interesse andam juntos, um não vive sem o outro.  Sei que muitos são os leitores que não têm interesse em ler, muitos não gostam, nem têm vontade. Há os que não sabem, e nem se esforçam por saber. Tem também os que tropeçam no engano e se acomodam; e os que simplificam, julgando otimizar a leitura, nocivamente configuram um padrão.  Os modos condicionados das 'leituras dinâmicas' adestram o olhar para uma percepção estreita, prendendo num lugar de repetições. Já falei muitas vezes que nesse lugar não quero ir, nem tampouco ficar, só de imaginar me causa arrepios e aversão. Há os que veem com os olhos dos outros, repetem o vivido de alguém. Ilusão de possuir. Estes restringem a própria liber...